sábado, 26 de março de 2011

Hello, I Miss You
(I parte)






Hoje foi o primeiro dia que saí de casa depois daquele acidente que tirou a vida ao homem da minha vida, passado cinco meses fechada em casa como uma ave presa numa gaiola, senti-me obrigada a sair pelas portas que me cortaram caminho durante imensos dias.
O mais estranho depois de tanto tempo não foi sair à rua e ver que tudo estava mudado, o mais estranho foi ver as pessoas a agirem como se nada tivesse acontecido, ver aquelas pessoas a sorrir provocou-me um enorme desconforto, eu tinha uma dor enorme cá dentro, uma dor tão grande que nem conseguia olhar directamente nos olhos de outras pessoas. Estava tudo tão escuro para mim, já não sentia aquele bichinho que nos faz viver a vida de uma forma inteiramente nossa, eu também tinha morrido naquele acidente.
O caminho que costumávamos percorrer todas as manhãs estava agora coberto de flores e eu não me conformava com isso... Como pode o mundo continuar assim depois de uma perda tão grande, depois de ter ficado sem a pessoa que me enchia o meu coração, que me acendia a chama que todos temos, como é que alguém consegue continuar a viver depois disto tudo.
Questões que apareciam-me sempre que via algo demasiado belo, apenas eu fazia o luto, mais ninguém se mostrava preocupado com este acontecimento.
Eu só queria, por um minuto que seja, senti-lo outra vez a meu lado e que me falasse baixinho ao ouvido mais uma vez. Esta solidão interior que me agride provoca um mau estar que ninguém consegue imaginar. 
Estou neste momento parada à frente de um dos lugares que foi nomeado como o nosso "ninho do amor", naturalmente que eu já sabia que iria chorar, naturalmente que eu já sabia que a dor neste lugar seria maior, naturalmente que eu já sabia que iria sentir a falta da mão dele no meu ombro, naturalmente que eu já sabia que iria querer todos os beijos no nariz que lhe recusei por algum motivo... Se eu não te tivesse obrigado a vir comigo à praia para passarmos mais uma tarde juntos ainda podias estar agora comigo, a fazer o "bem me quer, mal me quer" com as margaridas que enchem o nosso espaço, se eu não te tivesse pedido para irmos aquela hora ainda estarias aqui a dar-me mordidelas no meu nariz já vermelho, se eu não te tivesse dado um beijo na boca não te teria tapado a visibilidade da estrada ainda poderias estar aqui a chamar-me mais uma de tantas as vezes que me chamavas "princesa".
Sinto-me culpada por isto e por tudo o que virá, não consigo falar com ninguém pois as palavras ficaram todas naquele carro, quando o teu coração já fraquinho ainda conseguiu pronunciar um "amo-te", quando vi os teus olhos fecharem e a tua cabeça inclinar para baixo como sinal de que a tua linha da vida tinha se rompido, dei por mim a tentar acordar-te como que se daqueles dias em que dormiamos juntos na tua casa se tratasse... Não estava em mim, não me conformava com o que estava a acontecer, era um pesadelo tão mau que eu só queria acordar.
Hoje continuo igual ou até mesmo pior, os dias para mim passam por passar, há quem diga que eu também morri e que o que anda pelas ruas é apenas o meu corpo, pois a minha alma ficou junto da tua e talvez seja verdade. Eu já não vivo, já não como, já não durmo, já não sou a rapariga que conheceram à uns anos atrás, agora sou o que resta de uma paixão morta, de um amor destruido ...

(continua)

8 comentários:

  1. Obrigado por seguires=)
    Tambem estou a adorar o teu*

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  2. bem o teu texto está mesmo emotivo e profundo. . . .
    vou passar a seguir ;)

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  3. « o teu texto esta mesmo lindo , e olha eu não se o que aconteçeu , mas o que aconteçeu não foi culpa tua , e ele onde quer que esteja deve pensar o mesmo , e sem duvida que só quer que sejas feliz e não pares de viver a tua vida . tens mais 1 motivo para lutar , ou seja , ele ! (...)

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  4. Obrigada querida:) adorei o teu blog e particularmente esta historia. Vou seguir tambémm ;)

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  5. esta historia é verdadeira ?

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Para a Rosarinho:

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