quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Eu não soube esperar


É verdade, eu não soube esperar por ti. E acredito que esperar por alguém deva ser um privilégio porque, colocar a vida em pausa por causa de ti merece algum crédito. Não encontrei motivos suficientes para ficar agarrada ao vazio de não te ter. Além disso, a probabilidade de voltar a olhar-te nos olhos com a mesma intensidade com que nos olhávamos seria muito pouca. Seria errado querer um futuro exactamente igual ao passado, com os mesmos erros, com as mesmas poucas alegrias, eu mereço melhor. Ainda assim, existe sempre uma pequena parte de mim que te quer agarrar desesperadamente e afundar contigo, a uma profundidade que nos permita ficar eternamente juntos. 

domingo, 16 de julho de 2017

A carta que nunca te escrevi

Hoje esta carta é para ti, não que te deva qualquer explicação sobre tudo o que se passou, mas sem isto não consigo seguir com a minha vida em frente. Hoje escrevo-te porque ficamos num limbo de emoções e sentimos, algo que tu nunca foste boa a exprimir porque para ti sempre estava tudo bem. Contudo a minha personalidade nunca foi de deixar passar ou de ignorar o que me fazia navegar num mar de derrotas e tristeza. Passou um ano desde que estavas presente na minha vida todos os dias, uma felicidade infeliz porque a amizade não deveria ser uma competição de quem recebe menos afeto, certo? A amizade deveria ser uma troca de amor, se eu dou eu também mereço receber porque esse é o nosso propósito, fazer com que o outro se sinta bem connosco na sua vida. Ora, a vida mostrou-me até hoje muita coisa sobre a nossa amizade e uma delas foi que eu esforcei-me muito mais para ficar na tua vida do que tu. Aliás, acredito que não estar na minha vida nunca te fez confusão porque nunca demonstraste verdadeiramente que eras agradecida por me veres sorrir todos os dias. Muitas foram as vezes que chorei por não conseguir ter um carinho teu quando mais precisava, lutei, batalhei tanto para conseguir merecer um lugar especial na tua vida. Vi passar à minha frente vitórias de outras pessoas, aplaudi, sorri e continuei no banco, como substituta de algo que nunca seria preciso substituir porque eu, na verdade, nunca fui uma opção, não é verdade? Cheguei a culpar-me inúmeras vezes por não saber estar sempre feliz contigo, por não conseguir odiar-te em segredo e passar a minha mão para o teu deleito e sorrir, um sorriso amarelo mas que bastava. Acredito que isso seja uma tarefa mais fácil para quem passou a vida inteira a tentar agradar a "gregos e troianos" mas, para mim, era uma tarefa que me consumia por dentro e então decidi ser eu. Era isso que deveria acontecer numa amizade não é? Ser-se o próprio, sem mentiras e rodeios. Parece-me que ao falhar nessa parte, falhei na parte em que tu irias estar para mim acontecesse o que acontecesse, passasse o tempo que passasse. E em tempos ainda pensava que os anos que estivemos juntas teriam significado quando fosse para escolher alguém para te acompanhar. Mais uma vez, ingénua, falhei na predição de um futuro bom para nós porque, mais uma vez, eu nunca fui uma opção certo? Hoje passo-te ao lado como uma neblina matinal em manhã de verão, porque o sol sempre tarda a chegar. Hoje não sou mais o sacrifício de agradar porque há quem te agrada. Hoje e sempre, porque tu nunca soubeste ser amiga, sempre foste uma brisa passageira, sem conteúdo. Hoje vejo que eu nunca fui opção para alguém que não tem como perceber o bem que faço. Tu, na verdade, nunca foste uma amiga próxima, foste alguém que convive com quem menos lhe dá trabalho porque ter trabalho é ter de se impor quando não gosta e isso é fazer com que alguém não goste de nós. Sentaste-te nas minhas costas e aproveitaste tudo o que de bom te proporcionei sem nunca me dares nada de agradecimento. Foste egoísta. E eu nunca me contentarei com "quases" amizades ou segundas opções e por isso, desde já te digo, que riscada estás da minha vida. Como sempre deverias ter estado porque eu fui um escape para a tua solidão e quando menos precisaste de mim, foi quando mais te aproveitaste das minhas fragilidades. 

domingo, 14 de maio de 2017

E eu não consigo Só receber metade quando eu me dou por inteiro

Não consigo encontrar outra explicação para o que me acontece. Aquela viagem sentimental de tentar compreender a razão de não ser correspondida na mesma intensidade. Os pensamentos começam a fluir e de todas as razões que podem existir, a única que me invade é a de que eu não sou uma pessoa que faz alguém gostar de si imediatamente. Porque não há um dia que eu não me esforce para ser melhor - ou ser o que não sou - sorrio, abraço, partilho, elogio. E eu não consigo Só receber metade quando eu me dou por inteiro. E é nisto que gira a minha vida. Num esforço meticuloso para ser notada, gostada, correspondida.  As pessoas que estão ao meu lado mudam, mas o sentimento permanece e os comportamentos tornam-se os mesmos. Por que razão eu partilho constelações e nem uma estrela recebo?
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