Sentir-me sozinha é normal quando não tenho ninguém por perto, mas quando me rodeio de gente e mesmo assim o sentimento permanece? É normal começar a chorar do nada, com um aperto enorme no coração a achar que nunca ninguém demonstrou verdadeiro carinho comigo? Ou que algum dia fui prioridade de alguém? Ser todos os dias um muro de perda, desvalorizando tudo o que me afecta vai-me consumido por dentro e são estes pequenos momentos, geralmente no aconchego do abandono, que me desvaneço em lágrimas. Pedir ajuda nunca é solução porque admitir que ser frágil faz parte de mim nunca me foi ensinado. Acalmo-me sozinha, muitas vezes apenas com ajuda do que uma voz interior me diz, seco as lágrimas e volto a guardar para mim tudo o que me deixa melancolicamente depressiva porque as pessoas que me fazem bem, ao mesmo tempo também são as que me fazem mal. E eu sei que Tu existes porque sempre paras com o que me está a matar por dentro, acabas com a minha auto-destruição e dás-me uma luz, mesmo que pequena, é e sempre será a luz que eu preciso para continuar a ser a pessoa que não sou, mas que preciso de ser.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
sábado, 23 de janeiro de 2016
Foste mais um nómada sem rumo
Hoje reconheço que a vida é uma porta aberta para viajantes nómadas sem rumo. Digo isto porque em mim já foram dados tantos passos que eu mesma perdi a conta. Gente que passou e não quis ficar ou não conseguiu ficar. De tantos adeus que disse, o teu foi o mais doloroso porque a tua despedida foi a mais inesperada e fugaz. Senti que, em algum momento, tinha marcado com a minha presença a tua viagem e que tinhas tomado a decisão de ficar, enganei-me. Este engano foi resultado de inúmeras expectativas criadas em torno de todas as frases trocadas e de várias promessas ou falsos juramentos. Foste-me dando certezas, acreditei num lugar perto de ti, hoje aceno-te com a cabeça pois as mãos congelaram na espera do teu longo abraço de agradecimento, um conforto que há muito esperava. Hoje não te vejo mais, não te oiço, nem sinto mais a tua presença atrás de mim como uma sombra que me acompanhava. Hoje sei que existes porque um dia te conheci mas se não te conhecesse, hoje não sentiria a tua falta. Construimo-nos com as desilusões que nos caiem aos pés. Eu esperei pela tua coragem para me dizeres que o nosso tempo tinha acabado mas até hoje nunca te vi com vontade de me dizeres adeus. Certamente que o futuro não estava guardado para nós, que o espaço que eu tinha aqui vazio não era para ser acampado por ti e que todas as vezes que me disseste que iríamos estar presentes um para o outro não era verdade. Eu esperei demais de ti, expectativas que não curam mais uma desilusão que está prestes a cair ao chão.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2015
Tu és o amor de uma vida, não o amor da minha vida.
Fomos feitos um para o outro mas o amor não foi feito para nós. E quanto mais penso nisso mais sentido faz. Quantas vezes tentamos atar as linhas soltas e elas simplesmente escorregavam-nos pelas mãos? Se há algo que eu tenho a certeza é que te amei, só não sei se o amor chegou a ti da mesma maneira que saiu de mim. Fomos feitos de matérias diferentes, produzidos em diferentes espaços de tempo e calculamos tão mal os danos que nos deixamos magoar com todas as nossas diferenças.
Hoje sinto que sou capaz de perdoar o amor que nunca chegou para nos manter unidos, mas será que quero? Perdoar será relembrar e relembrar, qualquer história nossa, é querer voltar a ter-te nos meus braços como que se nunca te tivesse deixado ir. E esta brisa passageira não foi tão passageira como pensei.
Eu cresci, tu cresceste e hoje não sei se o teu beijo sabe ao mesmo doce aroma que sabia. Hoje não sei se todas as nossas noites seriam iguais e se o nosso futuro seria construído com o mesmo peso e matéria de cada lado. Tu és o amor de uma vida, não o amor da minha vida.
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