terça-feira, 15 de abril de 2014

Sempre tive uma certa inclinação para escolher pessoas erradas na minha vida. A amostra é tão variada e ascendente que tropeço nas minhas próprias dúvidas e acabo por aproximar-me dos meus piores pesadelos. Depois só me resta esperar pela desilusão e a morte das minhas esperanças de que poderia ser feliz ao lado daqueles que escolhi.

   - Seria bom se o céu fosse um espaço neutro, sem prévia designação de que só acolherá os que agiram de bem para com o mundo. Assim poderia viver tranquila, sem marcas no corpo ou na alma, porque o céu sempre me fascinou e seria o meu melhor fim.

Não consta nos livros que as pessoas que se abrem para as pessoas erradas acabam no inferno, mas também não se diz por aí que as más escolhas nos dão acesso ao sagrado lugar de descanso. Gostaria de emendar um caminho cheio de dor, arrependimentos e insatisfação. Talvez no final teria a certeza que o meu lugar acabaria por ser no céu. No Universo. Sem culpar as estrelas.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Podia ser tudo aquilo que desejarias que eu fosse.
E assim me despedi de ti, porque deixar de ser eu não deveria ser uma hipótese. Gostava de poder dizer que a culpa do fim foi do destino que nunca estive do nosso lado. E será que algum dia estaria? Hipoteticamente falando, se as nossas modéstias tivessem sido diferentes ou se a nossa disponibilidade fosse permanente, será que teríamos os ventos a nosso favor?

"Aprendi que o sentimento do amor não é mais nem menos forte conforme as idades, o amor é uma possibilidade de uma vida inteira, e se acontece, há que recebê-lo. Normalmente quem tem ideias que não vão neste sentido, e que tendem a menosprezar o amor como factor de realização total e pessoal, são aqueles que não tiveram o privilégio de vivê-lo,  aqueles a quem não aconteceu esse mistério." José Saramago
Amei-te por uns segundos e com isso aprendi que amar não estava ao alcance de uma só pessoa e que coração que bate sozinho é coração vazio e amaldiçoado. Amei-te pelo que eras, não pelo que és agora.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Ainda não consegui entender se o que me consome sou eu mesma ou o que existe lá fora. Não me poupo a palavras.  Arrisco tudo o que alguma vez consegui ter e lanço tudo ao ar. Queria conseguir libertar-me de mim mesma, como névoa desfeita ou pedaços de vento perdido. Consigo escrever o que tu nunca conseguirás ler porque mesmo que entendas tudo no seu sentido literal, eu sempre fui uma metáfora. 

Olha à tua volta, não encontras mais nenhum barco perdido?
E porque haveria eu de encontrar?
Porque tal como tu, que andas perdida num mar tempestuoso, há mais como tu.. mais barcos sem rumo. 
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