sexta-feira, 28 de abril de 2017

Deixem-me estar

As pessoas dizem-me que escrever é terapêutico
Sem saber o que escrevo
Sem saber quantas linhas ocupam os meus pensamentos
Sem ao menos entender porque escrevo

As pessoas dizem-me que escrever acalma a alma
Sem saber que alma é a minha
Sem saber que rios deságuam nela
Sem saber de que matéria é feita

As pessoas dizem-me que o tempo cura tudo
Sem saber que tudo é o meu
Sem saber quanto tempo o tempo tem
Sem saber se escrevo para passar o tempo

As pessoas dizem-me (…) mas dizem-me sem lhes pedir opinião

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Hoje senti que fui esquecida sem querer ser

Hoje senti verdadeiramente que me fugiste pelas mãos e trilhaste um caminho sozinho, paralelo ao meu. Enganei-me quando pensei que ficarias sempre à minha espera, mesmo que eu nunca voltasse aos teu braços. Enganei-me quando achei que na tua cabeça eu seria sempre o primeiro pensamento quando alguém te falaria em amores impossíveis. É tão egoísta da minha parte querer-te sempre ali, sentado no banco mais próximo, nunca cansado da espera. Mas ainda mais egoísta é não querer que sejas feliz com outra pessoa a teu lado, mesmo que essa pessoa seja alguém que te ofereça o mundo sem pedir nada em troca.
Hoje senti que te perdi de uma forma que nunca antes tinha imaginado que seria possível perder-te, para alguém que não eu. E enquanto, lá fora, o Inverno vai dando lugar à Primavera, os dias vão começando a ficar maiores, mais espaço te dão para estares com ela. Um dia o meu nome já não fará sentido no teu diálogo, nem a minha imagem aparecerá na tua memória e é isso que me destrói por dentro: eu queria ser eterna em ti. Eternamente o amor impossível que não estava destinado a ser consumado, mas em vez disso, passei a ser um passado sem lembrança. 
Hoje senti que fui esquecida sem querer ser e, de tudo o que existe no mundo, é isso que mais me magoa. Ser uma luz apagada no meu da escuridão.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Fazias-me lembrar a talha dourada, o trigo brilhante ou o sol das três da tarde. O teu pouco jeito para o romantismo tinha-me deixado romântica. Lembro-me de todas as vezes que corri atrás de ti e que tu correste atrás de mim até esbarrarmos um no outro. De todas as canções que hoje oiço, nenhuma fala de como bonita foi a nossa história, de como o amor que tivemos foi grande o suficiente para me fazer ficar. De todas as canções que oiço, nenhuma me faz querer voltar porque hoje és uma lembrança que ainda está no purgatório para responder aos pecados que cometeste.
Hoje decidi ser feliz, felicidade essa que acabou por te passar ao lado. Lembro-me de ti mas não quero lembrar-me de nós porque o Nós é algo tão complicado, tão cheio de discussões e beijos nos momentos errados. E é engraçado que tu nunca quiseste mudar por mim e quando eu decidi ser feliz, sozinha, lembraste-te que, afinal, a vida faz sentido quando eu estou a teu lado. 
Hoje decidi não estar mais a teu lado, não sermos mais um ser em conjunto.
Marias há muitas © , All Rights Reserved. BLOG DESIGN BY Sadaf F K.