quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Ainda não consegui entender se o que me consome sou eu mesma ou o que existe lá fora. Não me poupo a palavras.  Arrisco tudo o que alguma vez consegui ter e lanço tudo ao ar. Queria conseguir libertar-me de mim mesma, como névoa desfeita ou pedaços de vento perdido. Consigo escrever o que tu nunca conseguirás ler porque mesmo que entendas tudo no seu sentido literal, eu sempre fui uma metáfora. 

Olha à tua volta, não encontras mais nenhum barco perdido?
E porque haveria eu de encontrar?
Porque tal como tu, que andas perdida num mar tempestuoso, há mais como tu.. mais barcos sem rumo. 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

E eu  continuo presa ao passado que me corrói, agarrada a pequenos trapos rasgados de mágoa e dor. Consequentemente perco-me no fumo e nas cinzas do que outrora foi o nosso amor cego porque uma coisa é o amor, outra é a relação. Não sei se, quando duas pessoas estão na cama, não estarão de facto, quatro: as duas que estão mais as duas que um e outro imaginam. E se tudo isto fizer sentido, eu acredito que não somos só quatro na mesma cama, somos seis. Somos nós dois, mais as duas pessoas que desejaríamos que fossemos, mais as duas pessoas que fomos um dia e que, por azar do destino, nunca o deixamos de ser.
Eu gosto de te amar mas gostava ainda mais se pudesse confiar em ti como antes, quando após uma semana sem saber de ti, tudo o que eu queria saber era se tinhas saudades minhas, não com quem tinhas estado. E depois de conversas com sabor a mel, ficávamos somente ali a contemplar o nosso caminho a dois, sem memórias ou nódoas negras de um passado obscuro.
Mas hoje não sei mais quem sou nem o que fiz para não sentir mais os meus joelhos. Hoje não sei mais se o mar é realmente um sitio calmo ou apenas um meio para uma morte sufocante. Não acredito mais em dias cor de rosa, aliás, não acredito mais na inocência dos dias.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Se ele me tivesse contado como estaria a minha vida agora, eu não acreditaria. Está tudo tão mudado, todas as minhas reflexões anteriores, neste momento, não fazem mais sentido. Os meus medos são outros e os meus anjos da guarda também. Estou rodeada de novas estrelas, novos ares, estou onde sempre quis estar. Mas a saudade é que me bate imensas vezes à porta e eu acabo sempre por a deixar entrar. "Não tenho pressa, vou me sentar" e aí me deixa assim, perdida e âncorada a chorar. Ai se eu soubesse o que sei agora, inúmeras palavras não tinham sido pronunciadas e os meus arrependimentos seriam menores. Teria sete palmos de confiança e saberia exactamente até onde poderia chegar. Se eu soubesse meu amor, ai se eu soubesse.
- Se tu soubesses o que te esperava, irias pedir aos céus que te alterasse o destino.
- E porquê?
-Porque tu meu amor, sempre foste do contra (...)
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