sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Aceitemos então que estamos sozinhos e, a partir daí, façamos a nova descoberta de que estamos acompanhados – uns pelos outros. Quando pusermos os olhos no céu estrelado, com a furiosa vontade de lá chegar, mesmo que seja para encontrar o que não é para nós, mesmo que tenhamos de resignar-nos à humilde certeza de que, em muitos casos, uma vida não bastará para fazer a viagem – quando pusermos os olhos no céu, repito, não esqueçamos que os pés assentam na terra e que é sobre esta terra que o destino do homem (esse nó misterioso que queremos desatar) tem de cumprir-se. Por uma simples questão de humanidade.

— José Saramago

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Alguém me leu. As minhas páginas estão machucadas dos dedos ásperos e suados. Sinto que a minha existência incomoda alguém, será? Deixa-te estar, enquanto não ouvires a razão dentro do teu próprio ser, não serás capaz de me atormentar. A minha existência é a tua morte. E enquanto isso é fatal como o destino eu não me preocupo com mais nada. Não me resta sonhos para construir nem desejos por realizar, eu sou um pote de ouro. E tu não és nada. Nunca foste nada, só inveja e ciúme.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Sei para onde quero ir, não sei para onde vou. É irreal pensar na partida mas o acaso tratará do resto. Ponho o meu futuro nas mãos do destino que tão pouco me desafiou nestes últimos anos. Por isso, apago a última ponta de memórias em volta de mim e prossigo viagem. Os meus pés estão demasiado calejados para continuar neste chão áspero e cansado, onde tanta gente já se colocou de joelhos a pedir a Deus por misericórdia. 
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